Mais paciência com as crianças

Mais paciência com as crianças

Brinquedos pelo chão, chororô por qualquer motivo, “não fui eu” (quando você sabe que foi), leite derramado na mesa do café. Respire fundo e se console com o fato de que todos os pais enfrentam comportamentos semelhantes dos filhos, em determinadas fases – e isso independe da personalidade deles.

Há períodos em que as crianças são desorganizadas, emocionalmente imaturas, contam pequenas mentiras, derrubam tudo que veem pela frente. E isso é normal, faz parte do desenvolvimento físico, cognitivo, emocional ou psicossocial. Basta ter em mente que essas chateações, mesmo quando persistentes, são transitórias e, assim, conte até dez, tentando perdoar seu filho antes de dar bronca.

Até o fim da adolescência, a criança passa por mudanças físicas importantes, que demandam adaptação e novas percepções corporais. Por isso, conforme-se: nessa fase, é bem provável que ela seja desastrada, na tentativa de situar seu corpo no espaço. Mas é esperado que, com o passar do tempo, a coordenação motora vá aumentando, o que ajuda a agir de forma menos estabanada.

2. Ele é desatento

Quando essa característica não prejudica as atividades cotidianas, ela é considerada normal. Acontece porque o mundo é cheio de informações, despertando nas crianças uma curiosidade de explorá-las – aí, fica difícil manter o foco. Conforme ela cresce, vai aprimorando a habilidade de concentração, que só se consolida por volta dos 7 anos, com o amadurecimento do córtex pré-frontal, uma área do cérebro que regula essa função. Isso não quer dizer, porém, que os adultos devem esperar esse processo acontecer passivamente – cabe a eles contribuir com o exercício da atenção.

3. Ele não é flexível

A fase do “não” é implacável: quase todas as crianças de 18 meses a 4 anos passam por ela. É quando começam a se perceber como indivíduos independentes da mãe e querem deixar bem claro seus gostos e opiniões. Evite dizer “não” a todo momento, caso contrário, seu filho reproduzirá o que ouve. Defina regras e, ao mesmo tempo, dê opções. Por exemplo: se ele chora e diz que não vai vestir a roupa que você escolheu, separe três alternativas e pergunte qual prefere. Assim, a criança sentirá mais controle sobre a situação e terá disposição em colaborar. E você ficará tranquilo, pois o traje seguramente será adequado para a ocasião.

4. Ele pode ser egoísta

A verdade é que, até os 7 anos – e mais intensamente por volta dos 3 –, as crianças são egocêntricas, acham que o mundo gira em torno delas. Ser filho único não piora, necessariamente, a situação. O que realmente influencia é a educação dos pais. Por isso, valorize as pequenas ações do seu filho, quando tiver iniciativas altruístas, e mostre desenhos, filmes e livros infantis em que o ato esteja associado a um final feliz. A convivência com outras crianças também é positiva, pois exercita a capacidade de relacionamento interpessoal, permitindo que experimente outros pontos de vista e, com isso, amplie o seu próprio.

5. Ele é desorganizado

Sejamos sinceros: criança nenhuma gosta de arrumar os brinquedos, principalmente porque isso significa que a brincadeira acabou. E a resistência já começa a partir dos 2 anos, quando os pais passam a encontrar objetos espalhados pela casa e têm uma dificuldade enorme em fazer com que o filho os coloque no lugar. O primeiro passo para ensinar o “usou, guardou” é dar o exemplo, mantendo a casa sempre arrumada. Encontrar meios de tornar a organização mais divertida também costuma funcionar. Para facilitar a vida das crianças, é importante que os pais providenciem baús, caixas organizadoras ou estantes para colocar os brinquedos, disponíveis em uma altura acessível. Doar aqueles que não são mais usados é uma boa dica, pois evita o acúmulo.

6. Ele pode mentir às vezes

Durante o desenvolvimento, as crianças misturam realidade e fantasia e, não raro, a mentira aparece nesse contexto. A maturidade para distinguir o verdadeiro do falso vem ao longo do tempo. De qualquer forma, é necessário que os pais mostrem aos filhos que mentir é errado e traz consequências – mesmo que a atitude pareça conveniente para evitar broncas, trazer recompensas, isentar-se de culpa, melhorar a autoestima ou chamar a atenção. É missão dos adultos identificar a motivação e repreender a criança, para que entenda que a verdade é o melhor caminho. Em vez de castigar ou dar uma bronca, o melhor é esclarecer os benefícios e os prejuízos de cada conduta. O mais importante, porém, é educar pelo exemplo. Se você está em casa e pede para seu filho dizer que saiu, está ensinando-o a mentir. Parece bobagem, mas esse tipo de atitude confunde as crianças e estimula a prática da mentira.

Fonte: Revista Crescer

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